A horizontalidade do mundo

13 de Dezembro de 2016

O futuro é o oásis mental onde procuramos depositar todas as nossas energias e objetivos pessoais e profissionais, o mais próximo do idealizado. Se os objetivos são desafiantes, o futuro parece distante, se vamos já a meio caminho, tudo o que queremos é encurtar o caminho.

De ano para ano, cruzam-se opiniões e projeções, de âmbito pessoal e profissional, cada vez mais interligadas, sobre tendências que permitam otimizar esforços para um sem fim de metas a alcançar. As variáveis mudam à mesma velocidade, e assistimos também ao fenómeno cíclico de o candidato ditar o passo da mudança. Falamos de milenialls que se cruzam com as gerações X,Y e Z nas organizações, das empresas unicórnio com crescimento rápido, falamos nas organizações que se debatem com os temas de atração e engagement e percebemos rapidamente que a projeção, ela própria, é flexível e mutável.

A própria motivação dos candidatos hoje no mercado carece de contextualização, pois já não falamos do candidato que muda porque quer crescer profissionalmente tanto verticalmente na organização como a nível hierárquico, mas no candidato que sendo júnior ou sénior exige das empresas, num imediatismo assustador, que as mesmas façam uma gestão individualizada das suas motivações pessoais.

Com a crescente digitalização, o mundo tornou-se ainda mais horizontal, o que era longe, hoje é perto, o desconhecido, familiar, e com isto, aumenta em Portugal a escassez de talento. A materialização da horizontalidade do mundo trouxe a Portugal a visibilidade para um conjunto de investimentos em clusters específicos de mercado os quais têm vindo a crescer gradualmente, mantendo-se esta tendência para 2017. São eles os setores dos moldes, do agroalimentar, das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), dos serviços partilhados, automóvel, turismo, mar e aeronáutica.

Um exemplo real é o facto de cada vez mais empresas de todo o mundo selecionarem Portugal para implementar os seus Centros de Serviços Partilhados, nos mais diversos setores. São já perto de 120 estruturas assentes na metodologia de Shared Services em Portugal, empregando mais de 40.000 pessoas. Portugal continuará a ser um destino sedutor em termos de nearshoring, maioritariamente em termos da centralização de funções financeiras, tecnológicas e de suporte operacional.

Assim, uma das tendências que ganha cada vez mais relevância, neste último semestre de 2016, perspetivando-se igualmente para 2017, traduz-se no investimento nas áreas de Recursos Humanos, especialmente, no que diz respeito à vertente de Desenvolvimento (avaliação de competências, avaliação de desempenho, formação, definições de planos de carreira, recrutamento), quer em posições de Direção, quer em perfis de Business Partner, onde o profissional de Recursos Humanos assume, cada vez mais, um papel de “parceiro” das várias unidades de negócio no seio da organização.

 

Mafalda Vasquez – Manager Director da Msearch